• Wanderson Lobato

Capela Pombo entre rachaduras e pesquisa

Atualizado: 7 de jun. de 2021

Além da pesquisa bibliográfica e sobre a história do bairro e da edificação, a arqueóloga também está mapeando como a capela está presente na lembrança e nas memórias das pessoas.



Escondida entre prédios e a movimentação de pessoas no centro comercial de Belém, uma capela guarda histórias do passado colonial da cidade e memórias de várias gerações. Agora, a “vida social” da Capela Pombo, conhecida também como a Capela do Nosso Senhor dos Passos, na antiga Rua do Passinho, hoje Campos Sales, no bairro da Campina, em Belém do Pará, é tema de uma pesquisa acadêmica envolvendo a Arqueologia, a Antropologia e a História.


“A capela além de ser um patrimônio material. Ela também é patrimônio imaterial, porque ela faz parte da lembrança das pessoas. Ela também traz essa questão da afetividade que é imaterial, que a gente não pode tocar, mas também está presente”

“O objetivo é investigar do ponto de vista arqueológico a história da capela, uma cultura material importante que foi construída numa determinada época histórica que traz significados dessa época, ideologias, costumes que falam um pouco desse contexto colonial de Belém”, explica Glenda Consuelo Bittencourt Fernandes, arqueóloga e doutoranda do curso de Pós-Graduação em Antropologia, da UFPa. “A partir dessa presença que ela tem na cidade, compreender os significados que ela teve no passado e que ela tem no presente”.


Além da pesquisa bibliográfica e sobre a história do bairro e da edificação, a arqueóloga também está mapeando como a capela está presente na lembrança e nas memórias das pessoas. É o que os estudiosos chamam de arqueologia pública, que dá vasão a outras vozes que não apenas dos arqueólogos, mas das pessoas que vivenciam os sítios arqueológicos históricos.


“A capela além de ser um patrimônio material. Ela também é patrimônio imaterial, porque ela faz parte da lembrança das pessoas. Ela também traz essa questão da afetividade que é imaterial, que a gente não pode tocar, mas também está presente”, explica.


Quem estiver interessado em participar da pesquisa pode fazer isso através do perfil da doutoranda no Facebook que fez uma postagem pedindo a contribuição das pessoas. “Se chegou a ver ela aberta e teve oportunidade de entrar, se conhece alguém com quem eu possa conversar e que pode me falar mais sobre suas experiencias com essa construção. Se tu não sabia da existência da capela e tá sabendo por aqui… Enfim, me contem aqui nos comentários se vcs tem alguma vivência ou memória com a Capela Pombo”, explica.


Edificação segue em busca de atenção e restauro


Construída por ordem do coronel Ambrósio Henriques da Silva Pombo, “um dos mais importantes negociantes e lavradores do Pará”, ao lado de sua residência, por muitos anos ela foi uma capela de uso exclusivo da família. Mais tarde, já na década de 1980 começou a ser aberta ao público uma vez por ano, na Semana da Páscoa, servindo como uma das paradas da procissão do Senhor dos Passos.


Depois, passa a ser aberta em horário comercial, de segunda a sábado, e, desta vez, sendo usada como espaço de oração. Nesse período, em determinado momento, uma grade é colocada no portão, impedindo a entrada dos fiéis. Talvez pelos roubos de imagens do local ou pela deterioração da edificação.


Em seguida, em situação precária, a capela é fechada. Em 2012, ela é colocada à venda pela família Pombo, alegando falta de recursos em manter o imóvel e realizar a sua restauração. “Esta situação chamou atenção do arquiteto Flavio Nassar que criou até um financiamento coletivo para a recuperação do prédio. Não se conseguiu alcançar a meta, mas serviu para colocar em pauta na sociedade, a situação.” Em 2014, foram concluídas as negociações e a UFPa comprou o prédio.


Rachaduras ameaçam a estrutura do prédio


Recentemente, em junho deste ano, depois de uma fiscalização do IPHAN que constatou vários problemas na manutenção do prédio, a UFPa foi acionada e realizou serviços emergenciais, como a retirada de entulhos no interior da edificação, limpeza da mato que crescia na fachada e colocação de manta asfáltica, argamassa e manta no telhado para impedir infiltrações.

O prédio, que ainda tem rachaduras que comprometem sua estrutura, aguarda a burocracia avançar em um processo que segue no IPHAN para a captação de recursos para sua recuperação. Enquanto isso, uma parte da nossa história e de muitas lembranças segue escondida e um pouco esquecida numa rua movimentada do comércio de Belém.

“Muita gente diz que as pessoas não dão valor, estão pichando, colocam lixo ali na capela, mas se relacionam com as coisas da forma como estão enxergando, enxergando a capela como abandonada. Será que é vandalismo ou uma resposta ao abandono dessa construção? Será que não é uma ação de reação contra o abandono desses prédios? A gente tem que refletir sobre isso”, aponta Glenda.


Link para contribuições à pesquisa

Contato: Facebook

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