• Natalia Mello

Demolição da Fábrica da Phebo é mistério

Atualizado: 7 de jun. de 2021

Segundo a prefeitura, o proprietário do terreno não foi localizado, essa informação está sendo solicitada aos órgãos de cadastro imobiliário.



Importante símbolo do imaginário arquitetônico da capital paraense, a fábrica da perfumaria Phebo, começa a desaparecer, literalmente, das nossas vistas. Há três semanas, no dia 9 de julho, o início da demolição do prédio localizado em um dos bairros mais emblemáticos da história do desenvolvimento econômico de Belém, o Reduto, chamou a atenção da população e algumas autoridades. Fotos foram postadas nas redes sociais mostraram o prédio já no chão!


“A Divisão de Fiscalização e Controle da Seurb recebeu denúncia anônima sobre a ocorrência da demolição interna no referido imóvel. Após vistoria no local, foi aplicado auto de infração, uma vez constatada a obra de demolição iniciada sem o alvará que deve ser solicitado à secretaria."

Segundo a prefeitura, o proprietário do terreno não foi localizado, essa informação está sendo solicitada aos órgãos de cadastro imobiliário. A obra foi paralisada devido à falta de licenciamento e de alvará necessário para a demolição, que deveria ter sido solicitado à Secretaria Municipal de Urbanismo de Belém (Seurb). O órgão, em nota, informou que não sabe o que levou à demolição da construção, que não detém informações sobre o responsável pela obra e que não há informações sobre o prédio ser patrimônio histórico.


“A Divisão de Fiscalização e Controle da Seurb recebeu denúncia anônima sobre a ocorrência da demolição interna no referido imóvel. Após vistoria no local, foi aplicado auto de infração, uma vez constatada a obra de demolição iniciada sem o alvará que deve ser solicitado à secretaria. Também foi aplicado o embargo para paralisação da obra até o seu devido licenciamento, o que até hoje não ocorreu. A obra continua embargada”, esclareceu o órgão.

Para o historiador Michel Pinho, a questão deveria ser verificada pelo departamento de patrimônio da prefeitura, para analisar se o prédio se encaixa no perfil para pedido de tombamento ou não.


“Acredito que não há, pelo gestor da prefeitura atual, o prefeito, nenhuma preocupação efetiva do levantamento da riqueza do patrimônio histórico de Belém do Pará, e isso é muito grave. Nós devemos entender que o patrimônio é composto pelas mais diversas formas de edificação: temos as igrejas, as praças, casarões, uma diversidade, mas temos a necessidade de defender uma fábrica que foi tão importante para a economia paraense”, avalia.


História


Mais do que uma empresa que comercializava fragrâncias, a perfumaria Phebo, quando criada, em 1930, almejava ser, bem como o nome que recebeu, um símbolo de nascimento, neste caso de uma nova era da perfumaria brasileira – Phebo era o nome do deus grego do Sol. Inaugurada pelos primos portugueses Antonio e Mario Santiago, ainda no primeiro ano lançou o sabonete Odor de Rosas, que combinava essência de pau-rosa a mais de uma centena de outros ingredientes, como sândalo, cravo da Índia e canela de Madagascar – até hoje o carro-chefe da marca.


Também fizeram sucesso os sabonetes de coco e a colônia de alfazema, lançamentos da época que contribuíram ao que viria ser uma marca registrada da Phebo: produtos ousados com alta concentração de fragrância. A perfumaria chegou a fazer parte das multinacionais Proctor & Gamble e Sara Lee e em 2004, foi incorporada ao Grupo Granado. Desde então, seus produtos absorveram a cultura da ‘pharmácia’ e passaram a ser formulados com base vegetal. Atualmente, a empresa tem única sede no Rio de Janeiro e trabalha com a venda de sabonetes, desodorantes, hidratantes, colônias, perfumes, velas perfumadas, difusores de ambiente e maquiagem.


Perda da memória paraense


No ano passado, a equipe do Circular Campina Cidade Velha procurou os donos e / ou trabalhadores da Phebo para organizar uma visitação durante uma edição do projeto, mas não obteve sucesso – e-mails e ligações trocadas já demonstravam a falta de um fim para o prédio, tanto por parte dos donos, quanto da prefeitura. A perda vai além da arquitetônica.


“O patrimônio histórico da cidade faz parte não só da história propriamente dita, mas também da nossa memória, daqueles que trabalharam na fábrica, que compravam os produtos, como o meu pai que usavam o sabonete Phebo, o que caracterizava o seu cheiro, isso também é memória”, conclui o historiador Michel Pinho.


Leia mais: https://bit.ly/39RVDRl

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