• Luciana Medeiros

Praças históricas de Belém passam por obras

Atualizado: 4 de jun. de 2021

De acordo com a Secretaria Municipal de Economia (Secon, houve um diálogo prévio com os 88 trabalhadores que atuam na Praça da Mercês e estes foram remanejados para as ruas Santo Antônio e Frutuoso Guimarães, no centro comercial de Belém, ocupando 100 equipamentos.



Dois importantes espaços históricos e de lazer de Belém estão passando por reformas, as praças da Mercês e do Carmo. As obras em ambas iniciaram ou tiveram continuidade durante a pandemia e devem encerrar entre final de setembro e outubro, segundo informaram os órgão municipais responsáveis. A reabertura de ambas ao público é uma expectativa, mas ainda há muitas dúvidas e anseios por parte da sociedade civil, com relação aos conceitos das reformas.


Temos ali, há anos, a presença dos comerciantes informais, que caracterizam de certa forma a praça; tínhamos a polícia, temos as lojas ao redor, tem a Igreja das Mercês, a Fotoativa, que é um espaço cultural localizado na Praça. Mas, até onde sei, não foi feita uma consulta com as pessoas ao redor, talvez tenha ocorrido um diálogo com os comerciantes somente

O que pode evitar alguns desencontros de informação é uma prática antiga. Ouvir a comunidade. Esse é sempre o melhor caminho para que as políticas públicas e as ações governamentais atinjam de fato o objetivo para o qual foram criadas: a oferta de ações que visem à qualidade de vida da população.


A Praça das Mercês, por exemplo, é complexa pela diversidade de grupos e pessoas que a utilizam. “Temos ali, há anos, a presença dos comerciantes informais, que caracterizam de certa forma a praça; tínhamos a polícia, temos as lojas ao redor, tem a Igreja das Mercês, a Fotoativa, que é um espaço cultural localizado na Praça. Mas, até onde sei, não foi feita uma consulta com as pessoas ao redor, talvez tenha ocorrido um diálogo com os comerciantes somente”, afirmou José Viana, da Associação Fotoativa.


O artista conta que ninguém da organização foi consultado sobre a reforma nem tampouco conhece o projeto de restauro. Para José, alterar a dinâmica estrutural da praça implicará em uma mudança no modo de vivê-la. Com a ampliação da área de jardinagem, por exemplo, deve ser reduzido o espaço que era visto por muitos envolvidos no movimento cultural da cidade como um largo de encontros.


“Digo isso tudo olhando de forma distante, da janela, tentando imaginar. Uma coisa que também me chamou atenção foi a retirada das pedras, que, de certa forma, é uma memória que caracteriza essa praça”, pontuou e acrescentou: “Um elemento comum em conversas e escuta que fazemos é a necessidade de um banheiro público, porque temos muitos moradores de rua que habitam essa praça nas suas madrugadas. Ou seja, é uma demanda recorrente que acaba gerando outros problemas na praça, como o acúmulo de dejetos humanos, o que remete a uma ideia de abandono, sujeira. A gente espera um diálogo, né? Uma construção conjunta, que é desafiadora, mas é mais potente para todos”, complementa José.


De acordo com a Secretaria Municipal de Economia (Secon, houve um diálogo prévio com os 88 trabalhadores que atuam na Praça da Mercês e estes foram remanejados para as ruas Santo Antônio e Frutuoso Guimarães, no centro comercial de Belém, ocupando 100 equipamentos. O local provisório de comercialização foi acordado entre a Prefeitura de Belém e os informais com o objetivo de liberar a área durante o período das obras na Praça da Mercês.


Praça do Carmo é marco da origem de Belém


A população questionou também a ausência de diálogos com a prefeitura sobre a reforma da praça do Carmo, que abriga um sítio arqueológico que é símbolo da Igreja de Nossa Senhora dos Homens Brancos – outra importante construção para a história de Belém.


“Lamentamos saber que, na reforma, não vão restaurar o monumento arqueológico que ficava na praça, que com o tempo foi depredado. É uma área de onde era a Igreja dos Homens Brancos, que foi destruída no início do século XX não sei por que motivo”, ressalta a professora Goretti Tavares, coordenadora do projeto Roteiros Geo-Turístico e professora da faculdade de geografia da UFPA.


Procuramos a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) que informou, no entanto, que o sítio é protegido e não sofrerá intervenção, de acordo com a anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


A praça do Carmo, um espaço diretamente conectado ao nascimento da cidade, entrou em reforma em plena pandemia. “Ela é de extrema importância, porque faz parte da primeira parte da cidade que nasce no século XVII, justamente na Cidade Velha, quando começam a se formar os largos, primeiro o da Sé, em frente à Catedral, e do outro lado, em frente à igreja que vai se formando nesse período, que é à igreja do Carmo”, diz Goretti Tavares.


A praça é também um dos locais de encontros afetivos e culturais da cidade, como serestas que eram realizadas no espaço na década de 80 e a culminância do cortejo do Arraial do Pavulagem, que até poucos anos ainda ocorria no Carmo, além de ser o ponto de encontro da saída do Auto do Círio.


“E fica perto dos portos de onde saem pequenas embarcações para várias cidades do estado, então tem uma relação forte também com os transeuntes, com o Colégio do Carmo, um dos mais tradicionais de Belém. Ou seja, a Praça é bastante significativa para a cidade”, diz Goretti.


Investimentos e prazos para entrega


A Seurb informou que a obra na praça das Mercês teve um investimento de R$ 1,4 milhão, já está na fase de paisagismo e restauro do monumento de bronze de Gama Malcher; e que o entorno da praça ganhou calçadas novas em piso de granito. Já as calçadas internas do espaço foram substituídas por blocos em pedra de cariri. Muretas e escadas foram recuperadas e receberam pintura, os canteiros de plantas foram revitalizados e ampliados no entorno da praça, e também receberam novas espécies vegetais e grama.


Por fim, a Secretaria de Urbanismo de Belém garantiu também que bancos e lixeiras foram renovados e que a praça recebeu ainda novas instalações elétricas e iluminação pública. A praça reformada deve ser entregue, segundo a Seurb, até o fim de setembro.


As obras na Praça do Carmo foram orçadas em R$ 1,3 milhão. De acordo com a Seurb, o anfiteatro da praça passou por uma readequação no nivelamento do piso e recebeu nova drenagem para eliminar o acúmulo de água da chuva que era comum na área. O espaço recebeu novo piso em granito na área interna e no seu entorno.


Ainda segundo a secretaria, as colunas estão recebendo restauro e iluminação; os bancos serão todos recuperados e terão iluminação; a praça recebe ainda novas as instalações elétricas e iluminação pública e decorativa, além de nova grama e paisagismo. O monumento em forma de busto de Dom Bosco recebe restauro. A previsão é que a obra seja entregue na primeira quinzena de outubro.

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